quinta-feira, 17 de março de 2011

Por que a África ficou para trás?

          Nos primórdios, a África era chamada pelos gregos de Etiópia, pelos mulçumanos de Sudão e pelos viajantes portugueses de Guiné. Hoje, chamamos o continente africano de "deserto", "continente negro", "povo com Aids", e assim segue os adjetivos. Cada um é mais preconceituoso ou sem embasamento que o outro. Vou me ater em discutir somente a falta de informação que começa com a indiferença a qual nós, do ocidente, nos dispensamos ao povo africano. No filme Hotel Ruanda de 1994, que discorre sobre a guerra civil envolvendo os povos hutus e tutsis, o gerente do hotel, prestes a ser invadido por tropas rebeldes, pergunta desesperado a um repórter de televisão européia, vivido pelo ator Joaquin Phoenix, se os povos dos países ricos não vão fazer nada pelo sofrimento do povo de Ruanda. O jornalista, consternado, fala com honestidade e discrição no ouvido do desesperado gerente; "Eles vão ver hoje, no horário do jantar, o noticiário na TV sobre toda essa carnificina, vão ficar perplexos, vão se lamentar por vocês e depois, vão continuar comendo".
          Essa é a África sobre a nossa ótica, um olhar com dó, porém distante. O continente africano está próximo de nós, entretanto mete menos medo que o distante Irã. Na África, principalmente a subsariana, não há nações com poderio bélico que ameace o ocidente, não há enriquecimento de urânio para fabricar a bomba atômica e não há ninguém promovendo uma "guerra santa" contra a América. Também inexiste uma grande concorrência econômica. Os países africanos não tiveram um "choque de capitalismo" como pediu para o Brasil o então candidato Mário Covas na campanha presidencial de 1989. As ditaduras dos países africanos, estapafúrdias e corruptas, legitimadas pelas grandes potências, desconheciam ou faziam-se não entender de economia de mercado, Investimento em educação e infra-estrutura ou de cumprimento de contratos. Os dirigentes africanos promoviam, desde rituais de canibalismo, até decapitações de seus desafetos - este último, ensinado pelo "europeu" rei belga Leopoldo. Alguns dizem que os africanos foram diferentes do tecnológico e engenhoso europeu. Sua rotina de vida seria cuidar de seus afazeres, terminá-los mais cedo e irem para as portas de suas residências e bater um bom papo. Seria a África não um continente com vocação econômica e sim para o ócio e a diversão? Para estudar o porquê que a África não se tornou uma economia competitiva necessita de muitas análises. A África do Sul, país mais rico do continente, se desenvolveu na época do apartheid, ou seja, governada por brancos que foram na Alemanha nazista estudar sua estrutura nacionalista. Seria então os negros africanos impossibilitados de, sozinhos, criar uma nação mais antenada com as tendências capitalistas modernas? Na história da humanidade todo continente, bem como seus autóctones, sofreram algum tipo de influência, a América do Norte teve a Anglo-Francesa e a América Latina a Ibérica. Ninguém se desenvolveu sozinho no mundo, nem a África. Em sua partilha, na época do nacionalismo - fabricando países com fronteiras retas - e nos anos da guerra fria, a África sempre teve os seus "padrastos", utilizando-a de acordo com suas conveniências. Uma coisa é certa: na perspectiva econômica, a África foi muito mal influenciada.

Benelci Pereira da Silva
Departamento econômico do Blog

Referências:

MAGNOLI, Demétrio. África do Sul: Capitalismo e Apartheid. São Paulo: Contexto, 1992.

REVISTA MÚLTIPLA, Brasília: 9-40, Junho, 2004.

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