quinta-feira, 10 de março de 2011

Sobre Egito, Tunísia e ditadores!

          Liberdade é uma palavra que, desde a ocupação do Império Turco-Otomano, não coaduna com a região árabe, nesse sentido fica difícil fazer uma boa política, pois para a mesma funcionar de forma justa é necessário espaço e um bom ambiente, especificando melhor, necessita de oposição. A prova da inexistência de uma voz política "contrária" se encontra nos países que hoje sofrem com as manifestações as quais estamos vendo diariamente nos noticiários. São iniciativas exclusivas do próprio povo que clama por emprego, mais liberdades e melhores condições de vida, as mesmas tiveram como seu arauto a Internet, o facebook e o telefone celular, engenhocas oriundas do ocidente ao qual os fundamentalistas islâmicos tanto odeiam, entretanto, pegaram carona nas manifestações e propagaram uma voz moderada com a intenção de assumirem o poder. Mas, isso também é política! Como dizia o chanceler alemão, morto em 1898, Otto Von Bismarck: "A política arruína o caráter".
          Tunísia e Egito já correram com seus ditadores, a Líbia está fazendo a "gata parir" com o obscuro Muamar Kadafi, a monarquia da Jordânia está balançando e a Arábia Saudita vai triplicar o seu "bolsa família" para acalmar a população. Como não tem uma oposição organizada, o risco dos países composto por esses heróicos povos árabes - que isoladamente derrubou duas ditaduras - cair nas mãos dos fundamentalistas é real e com isso a falta de liberdade dos cidadãos continuará a existir, ou seja, o que estava ruim, pode piorar. Esses ditadores recém derrubados e os que estão prestes a cair tem algo em comum, são frutos de potências ocidentais, auto denominadas "modelos de democracia", como os Estados Unidos, França e Inglaterra, colocados no poder em decorrência de suas políticas externas para suprir seus interesses. Uma maldade? Talvez. Antes, vale refletir sobre a frase do lendário diplomata americano George Kennan (1904 - 2005): "As sociedades não vivem para conduzir sua política externa; seria mais exato dizer que elas conduzem sua política externa para viver". Política é mesmo algo surpreendente.

Ronan Magalhães
Dpto político do Olho Histórico

Referência:

GRYZINSKI, Wilma. Os Nossos Ditadores: REVISTA VEJA, São Paulo: 2011, p. 90. 

Um comentário: