quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Revolução Industrial - O governo como fiador!

        Sempre se acalora o debate sobre o porque da riqueza ou da pobreza das nações. O fator clima é um deles, nele reza que nações com o ambiente temperado privilegiam o trabalho, em detrimento ao ócio dos países de clima tropical. A Austrália, com sua temperatura semelhante à do Nordeste brasileiro, derrubou essa tese. Noutro contexto, propagava-se a antiga máxima que países pobres foram colonizados de maneira exploradora, enquanto os ricos foram de forma povoadora. Somava-se a isso o fato de só ter vindo bandidos fugitivos para esses locais "quentes", como alguns portugueses no Brasil. Vale ressaltar que na América portuguesa ou na espanhola, além de soldados ávidos por índias - talvez devido a influência islâmica, no que diz respeito a bigamia - desembarcaram figuras de relevo na sociedade moderna que construíram de catedrais a universidades que de longe nos faz acreditar que estavam só de "passagem" para explorar.
        A Revolução Industrial, que transformou Inglaterra em potência mundial no século XIX e início do século XX, também não se dá por teorias acabadas, tampouco movido por "espíritos capitalistas", haja vista que o território britânico, na época, era uma "colcha de retalhos religiosa". O processo de trasição para a industrialização inglesa deu-se quase de forma natural, numa Inglaterra que já dispunha de todas as condições para tal. O mercado interno inglês reivindicava a produção do carvão para abastecer as lareiras das localidades que se urbanizavam, extraíndo os cidadãos do campo e levando-os para as fábricas - vale lembrar que em se tratando de Inglaterra, a distância entre campo e cidades é diminuta. O mercado externo, o grande provedor da revolução, extraía sua matéria-prima nas colônias e exportava seu produto manufaturado, para tal era necessário um elemento para incentivar, intervir, intermediar, ou se necessário, bombardear, nesse caso, o concorrente que ousasse atrapalhar seus planos econômicos. Esse elemento era o governo. Esse ator, do ramo da política, não mediu esforços para permitir que a Inglaterra fabricasse. Mais da metade dos conflitos travados pelos ingleses na época eram de cunho comercial. É também por meio da política que países, independente da forma de colonização, clima ou religião galgaram o desenvolvimento sustentado.




Ronan Magalhães
Departamento Político do Blog "Olho Histórico"


Referências:


HOBSBAWM, Eric. A Origem da Revolução Industrial, A Revolução Industrial 1780-1840. in: Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo. Rio de Janeiro: Forense. Universitária, 1983.


KARNAL, Leandro et al. A História dos Estados Unidos: Das Origens ao Século XXI. 1.ed. Contexto, 2007.


PETRY, André. Em Busca do Tempo Perdido. REVISTA VEJA, São Paulo, 2009, p 138 a 146.

6 comentários:

  1. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
    Para LANDS, a revolução, é mais que uma revolução política, é uma revolução comercial, que acontece gradativamente,conforme vai aparecendo as necessidades da população.
    As principais descobertas industriais, acontecem, com necessidades banais, cotidianas,como o uso do ferro em frigideiras, panelas,e os cientistas ingleses como pioneiros expandiram seus conhecimentos, aprimorando os maquinários, e fazendo crescer fabrícas e industrias.
    A Inglaterra,não, se deixou levar, por teorias religiosos,isso fez a grande diferença.
    Silvia dos Santos Ribeiro

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  2. Para Landes a revolução industrial é um desenvolvimento das fábricas impulsionada pela acumulação de conhecimento. Ele não enfatiza a questão comercial.
    Não entendi a parte que a Inglaterra não se deixou levar por teorias religiosas? Poderiam me explicar?

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Fernanda, os autores dão pouca ênfase à religião como fator determinante:

    Para Hobsbawm, não existe a tese do "espírito capitalista". A França, que era um dos palcos da Reforma, se atrasou perante a Inglaterra na industrialização e a região da Bélgica, católica, aderia à Revolução Industrial antes da comercial e protestante Holanda.

    Landes comenta não sobre teorias, e sim tolerância religiosa. No texto ele menciona a vinda para a Inglaterra de povos perseguidos em seus países pela égide papal, como os hunguenotes. Conhecimentos podem ter vindo de fora para contribuir para a Revolução Industrial, ou seja, a religião, como vários outros fatores, de algum modo e em algum tempo, participou desse processo.

    Ronan Magalhães.

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  5. Não percebo, no tocante a sua argumentação, como a Revolução Industrial "se deu de forma quase natural." Ainda que a Inglaterra tenha claras condições para o estabelecimento da mesma. Penso que as condições para a existencia da mesma, estão intimamente ligadas à conquista da autonomia intelectual,a sistematização da pesquisa e mesmo a língua em comum desses intelectuais.
    Ora as máquinas não precederam seus construtores, estes se debruçaram sobre conhecimentos seculares, e mesmo sobre inovadoras ideias.

    Raphael Barbosa
    HNVIII.

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  6. Obrigado pela participação Raphael. Voce deve ter se referido na perspectiva de Landes. Tirei por base Hobsbawm, que fala mais sobre "estruturas" do sobre a primazia do povo inglês. Também, realmente, o termo "natural" não se aplica a um artigo a ser postado, acontece que por ser curto, acabei pecando por isso. Exclua o natural e entenda como um melhor preparo da Inglaterra para a revolução.

    Obrigado!

    Ronan Magalhães

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